O que se passa nas Gili não é caso único. Em várias zonas do globo, os recifes de coral, base para riquíssimos ecossistemas marinhos, vão definhando. Mas, nas ilhas Gili, ao largo de Lombok, a situação chega a ser chocante. Os corais estão quase todos partidos, destruídos, mortos. Fazer snorkelling nas Gili é como participar num velório subaquático.
11 de abril de 2012. Um violento sismo (mais um!) ocorre ao largo de Banda Aceh, na Indonésia, numa espécie de réplica atrasada do maremoto ocorrido em dezembro de 2004. Mais precavidas que então, as autoridades lançam um alerta de tsunami para evitar a repetição da tragédia. Este é o relato dessas horas de incerteza, vividas de forma distinta pela mãe (angustiada pela possibilidade da filha ver o que ela viu em 2004) e pelo pai (que, estando longe, se sentia impotente para ajudar a ter a sua família em segurança).
Um é o maior templo hindu da ilha de Java; o outro é uma dos mais importantes edificações budistas do planeta. A Pikitim explorou ambos – Prambanan e Borobudur – com o mesmo entusiasmo. E achou as histórias de Shiva e de Buda tão interessantes como as dos duendes sapateiros ou do príncipe com orelhas de burro.
Foi há apenas três meses, a partida, e já tanta coisa aconteceu. Estamos “estacionados” em Bali e a Pikitim anda fascinada, consciente do privilégio que é viajar. O pai está neste momento longe – e isso é estranho. E eu sinto falta de estar mais próximo de familiares e amigos em momentos chave das suas vidas. É o pequeno preço a pagar pela maravilhosa experiência de palmilhar o mundo em família.
Durante a estadia em Kuala Lumpur, decidimos assistir a um concerto da Orquestra Filarmónica da Malásia, na magnífica sala Dewan Filharmonik Petronas. Queríamos proporcionar uma nova experiência à Pikitim, mas havia um pequeno problema: não tínhamos roupa condizente com o dress code do espetáculo: smart casual.
» Makeover
A visita ao maior walk in aviary do mundo já estava na nossa lista de possibilidades, entre as atividades e atrações que poderíamos fazer em Kuala Lumpur. Depois da Pikitim ter recebido uma carta dos amiguinhos da escola a documentar a visita a um parque ornitológico, a nossa ida ao Bird Park tornou-se obrigatória. E valeu bem a pena. A Pikitim achou piada ao casuar, viu vários pavões com a cauda aberta e impressionou-se com a beleza dos flamingos.
A Pikitim tem resistido a “fazer amigos” e a travar conversa com outras crianças que não falem a mesma língua, mesmo quando a levamos à toca do lobo, que é como quem diz à sala dos meninos da sua idade na escola primária de El Nido, às portas do fotogénico arquipélago Bacuit. Mas, por vezes, entrega-se de maneira surpreendente a companheiros de viagem que conhecemos na estrada, como a holandesa Astrid, de quem jura ficar “amiga para sempre”.
Há leite com chocolate em qualquer canto do mundo. E há sempre um frango e uma tigela de arroz que garanta que uma criança se alimente – mesmo uma esquisita no palato como a Pikitim. Ao final de dois meses em viagem, engordou um quilo, cresceu e respira saúde. Não tem ainda coragem para se aventurar muito na gastronomia, mas fazer alguns ensaios já faz parte da diversão.