Bilhetes Volta ao Mundo: comprar ou não comprar, eis a questão

Comprar ou não um bilhete Volta ao Mundo (round the world, ou simplesmente RTW, na designação mais comum, em inglês) é uma das decisões mais importantes que o viajante tem de tomar durante a fase de planeamento de uma viagem à volta do mundo.

Assumindo que não viaja de barco, bicicleta, à boleia ou a pé, mais cedo ou mais tarde terá de voar, pelo que há, basicamente, três opções a considerar: comprar um bilhete Volta ao Mundo ou outras Tarifas de Circuito disponíbilizadas pelas grandes alianças de companhias aéreas, como a Star Alliance ou a OneWorld; comprar um bilhete Volta ao Mundo em agências de viagens especialistas, denominados consolidators; ou ir comprando as passagens aéreas que se relevem necessárias ao longo da viagem. Analisemos, pois, cada uma das hipóteses.

 

Alianças de companhias aéreas

Apesar de serem, quase sempre, mais caros do que os bilhetes dos consolidators, os bilhetes Volta ao Mundo das alianças – e em especial da Star Alliance, de que a TAP é membro – são uma opção que vale a pena considerar. Desde logo, se for viajante frequente e possuir milhas aéreas suficientes que possam ser convertidas num bilhete à volta do mundo. Ou, mesmo não sendo esse o caso, pela possibilidade de ir acumulando milhas ao longo da viagem, que se traduzirão, com toda a certeza, em voos (quase) gratuitos depois do regresso a casa. Além disso, viajará com companhias aéreas reconhecidas e, argumento não desprezível, o facto de possuir um bilhete de avião poderá facilitar a entrada em determinados países. Para muitos, estes dois últimos argumentos significam segurança e paz de espírito,que por si só justificam o investimento.

No entanto, esses bilhetes têm a duração máxima de um ano, o que pode não ser suficiente para si. Além disso, podem obrigar a viajar por rotas demasiado longas, com escalas pouco convenientes nos principais hubs das companhias-membro. E, pior que tudo, os preços não são os mesmos em todo o mundo. Por exemplo, um bilhete Volta ao Mundo comprado para partidas nos Estados Unidos da América ou Portugal é quase sempre mais caro do que se a origem for Londres – o local mais barato em toda a Europa e, por isso mesmo, o ponto de partida mais aconselhável para viagens de longa duração. Por último, os bilhetes Volta ao Mundo das alianças estão, obviamente, limitados aos destinos servidos pelas companhias-membro, que podem não incluir países que gostaria de visitar na sua viagem. A esse propósito, a Star Alliance é, de longe, as que tem uma oferta mais vasta.

 

Reserva de bilhetes Volta ao Mundo, na Star Alliance
Reserva de bilhetes Volta ao Mundo, na Star Alliance

 

Bilhetes Volta ao Mundo em consolidators

Para quem procura bilhetes baratos, os consolidators (ou especialistas em viagens volta ao mundo) podem muito bem ser a escolha perfeita. Basicamente, juntam uma série de segmentos para cobrir todos os destinos pretendidos, utilizando companhias aéreas que podem ou não estar na mesma aliança, e quase sempre conseguem oferecer preços mais baixos do que os canais de venda oficias das companhias e alianças. Por incrível que possa parecer, é muitas vezes mais barato comprar um bilhete Volta ao Mundo, com paragem em três ou quatro continentes, do que uma passagem aéreas de ida e volta intercontinental. Parece estranho, mas é verdade.

Para dar um exemplo concreto, à data das pesquisas de voos para o projeto Diário da Pikitim – volta ao mundo em família, um bilhete Volta ao Mundo com partida e chegada a Londres e paragem em Banguecoque (ou, em alternativa, Hong Kong, Singapura ou Tóquio), Austrália, Nova Zelândia, Fiji e EUA tinha um preço mínimo de £1052, o equivalente a cerca de 1.200 €.

Há, no mercado, algumas agências de confiança a operar no nicho de mercado das viagens à volta do mundo. Entre esses, vale a pena pesquisar as britânicas Round the World Flights, Travel Nation e STA, até porque, ao contrário do que possa pensar, vendem bilhetes das maiores e mais conhecidas companhias aéreas do mundo, e não de transportadores de reputação dúbia ou de que nunca tenha ouvido falar. De resto, uma boa ferramenta para tomar contacto com as infinitas rotas possíveis numa viagem à volta do globo é a TripPlanner da Airtrecks.

 

TripPlanner da Airtreks
Planear o itinerário no TripPlanner da Airtreks

 

Comprar os voos no caminho

Aqui chegados, estará provavelmente a interrogar-se sobre as razões por que nem toda a gente compra um bilhete Volta ao Mundo. Em primeiro lugar, e desde logo, por uma questão de duração e flexibilidade. Nem todas as viagens duram menos de um ano, e nem todos os viajantes gostam da obrigação de planear todo o itinerário à partida. Muitos apreciam a total liberdade de decidir o que fazer no dia ou semana seguintes, e colocam a flexibilidade acima de tudo, permitindo-se a ficar meses a fio num lugar porque se sentem bem, seguir uma paixão repentina e mudar totalmente de rota, ficar num local a trabalhar ou fazer voluntariado, ou até voltar a casa mais cedo do que o previsto por qualquer razão pessoal ou profissional. É certo que muitos bilhetes Volta ao Mundo permitem alterações de data de forma gratuita, mas o mesmo não se aplica, regra geral, à mudança de itinerário (são cobrados 100 ou mais dólares por alteração).

Assim, comprar os voos no caminho é, naturalmente, a opção que permite maior flexibilidade, apenas dependente da disponibilidade de tarifas aceitáveis para o destino pretendido daí a poucos dias. É ideal para quem não tem plano definido ou prefere viajar ao sabor do vento, ou ainda para viagens de duração superior a doze meses. Quase sempre, acabará por tornar a viagem mais cara, mas a flexibilidade de, a todo o instante, poder aproveitar uma promoção e voar para qualquer lugar não planeado ou, simplesmente, acordar e decidir o que fazer no dia seguinte é um luxo verdadeiramente impagável.

 

Solução de compromisso

Uma opção de compromisso e interessante para a maioria (desde que a viagem dure até doze meses) poderá ser comprar um bilhete Volta ao Mundo simples, com apenas os voos intercontinentais, em rotas populares e baratas (exemplo: Londres – Singapura – Sydney – Los Angeles – Londres), sendo o resto do trajeto planeado na altura e efetuado por terra ou recorrendo a companhias aéreas low cost.

 

A nossa decisão

Antes de mais, referir que já optei pelas duas situações: na primeira volta ao mundo que realizei, sozinho, em 2004/05, optei por não comprar um bilhete desse tipo. Na altura, preferi a flexibilidade em detrimento do custo e, além disso, a viagem tinha mais de doze meses de duração, o que me colocava à margem das regras dos bilhetes RTW. Na verdade, a maior parte das vezes fiquei totalmente feliz com a decisão. A exceção terá sido quanto voei entre Timor-Leste e a Austrália, ou da Austrália para a América do Sul, pagando um preço muito alto devido à falta de concorrência. Com um bilhete Volta ao Mundo na mão, teria poupado bastante dinheiro.

Desta vez, porém, a opção recaiu pela compra de bilhetes Volta ao Mundo. Em primeiro lugar, porque a viagem durará apenas um ano. Em segundo, porque, estando acompanhado por uma criança, viajarei de forma mais pausada, com menos percursos terrestres longos e desgastantes, pelo que os voos terão um peso mais significativo – logo, compensa mais pensar nesta opção. Além disso, o itinerário previsto inclui inúmeras ilhas do Pacífico Sul e a única forma razoavelmente económica de lá chegar é através das Tarifas de Circuito ou bilhetes Volta ao Mundo existentes no mercado. Por último, sendo esta uma viagem a três – e não solitária – o fator custo tem um peso três vezes maior em qualquer decisão relacionada com voos.

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Comentários

  1. Ricardo says

    E qual foi a companhia onde compraste o bilhete de RTW? Eu e a minha mulher queremos fazer o mesmo e não sabemos onde comprar?!?!?

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